Astronomia no Zênite
Diário astronômico - Espaçonave Terra

Asteroides perigosos

Dez mil toneladas vindas do espaço penetram em nossa atmosfera a cada ano, com velocidades entre 11 e 70 km/s. A maioria se transforma em inocentes meteoros. Entre os principais geradores desses corpos estão os cometas, embora sejam os asteroides os candidatos preferidos pelos pesquisadores. São também os mais perigosos.

Sua composição heterogênea teria melhores condições de explicar a origem da diversidade na composição das várias classes de meteoritos. Além disso, nem todos os asteroides permanecem na conhecida faixa entre Marte e Júpiter. Colisões recíprocas e órbitas instáveis podem levá-los para longe dali.

São denominados asteroides potencialmente perigosos (em inglês Potentially Hazardous Asteroids ou PHAs) as rochas maiores que 100 m, aproximadamente, e que se aproximam do nosso planeta menos que 0,05 UA (1 UA vale aproximadamente 150 milhões de km). A tabela a seguir relaciona as passagens mais recentes de PHAs, destacando aqueles que se aproximam menos que cinco vezes a distância Terra-Lua (DL).

Fato rápido
Pesquisas sugerem que existem entre 10 e 20 mil PHAs na vizinhança
Asteroide
Data (UT)
Distância da Terra
Velocidade (km/s)
Diâmetro (m)
2010 FX9
2026-Set-14
9,4 DL
11,1
55
2025 SC
2026-Set-14
19,2 DL
1,9
3
2026 RE39
2026-Set-14
3,3 DL
10,9
17
2026 RO39
2026-Set-14
0,7 DL
10,5
5
2026 RM34
2026-Set-14
8 DL
12,5
12
2026 RO10
2026-Set-14
14,6 DL
9,3
61
2026 SR
2026-Set-14
12,5 DL
5,1
11
2026 RA40
2026-Set-14
10,3 DL
9,2
15
2026 SF
2026-Set-14
7,9 DL
15,1
21
2026 RW39
2026-Set-15
7,5 DL
14
42
2026 SB
2026-Set-15
0,3 DL
14,6
9
2026 RG15
2026-Set-15
0,2 DL
9,1
21
2026 SQ
2026-Set-15
4 DL
19,8
12
2026 SM
2026-Set-15
4,4 DL
12,1
15
2024 RP12
2026-Set-15
18,5 DL
6,6
51
2026 SU
2026-Set-16
11,2 DL
10,2
11
2026 RF39
2026-Set-16
5,7 DL
7,6
21
2026 RM39
2026-Set-16
4,3 DL
9,8
10
2023 SZ3
2026-Set-16
6,7 DL
10,3
58
2026 RA4
2026-Set-16
3,4 DL
11,6
20
2026 RB39
2026-Set-17
1 DL
9,3
7
2026 NT2
2026-Set-17
16,1 DL
12,5
314
2026 RN4
2026-Set-17
16,2 DL
8,9
19
2026 SE
2026-Set-17
6,2 DL
8,2
11
2026 RD38
2026-Set-17
15,2 DL
8,2
35
2026 SJ
2026-Set-18
6,9 DL
8,5
15
2026 SW
2026-Set-18
10,8 DL
8,5
18
2026 SK
2026-Set-19
4,3 DL
16,2
17
2026 RF15
2026-Set-19
5,5 DL
14,1
27
2026 RH3
2026-Set-19
17,2 DL
11,7
29
2026 SA
2026-Set-20
4,2 DL
10,6
17
2026 SH
2026-Set-20
10,2 DL
13,3
24
2026 SG
2026-Set-20
3,2 DL
14,5
25
2026 SS
2026-Set-20
2 DL
15,5
8
2026 RP1
2026-Set-20
20 DL
17,2
42
2026 RW37
2026-Set-20
1,2 DL
8,7
7
2026 SL
2026-Set-21
6,2 DL
14,3
17
2026 RG39
2026-Set-21
6,8 DL
5,1
9
2026 RZ1
2026-Set-22
10,4 DL
9,1
36
2026 RD49
2026-Set-22
15,8 DL
3,7
18
2026 RA38
2026-Set-22
14,7 DL
8
24
2026 RJ15
2026-Set-22
5,5 DL
10,2
18
2026 SP
2026-Set-23
4,3 DL
9,7
12
2026 RR34
2026-Set-23
3,7 DL
6,5
18
2026 RQ34
2026-Set-24
13 DL
7
26
2026 RC49
2026-Set-24
11,1 DL
8
22
2026 SC
2026-Set-25
1,7 DL
7,8
20
2026 RN15
2026-Set-27
8,4 DL
6,5
21
2026 RS
2026-Set-30
11,2 DL
6
25
2026 RX38
2026-Set-30
10 DL
14,4
33
2018 SP2
2026-Set-30
5 DL
14,3
39
2019 AS2
2026-Out-02
4,5 DL
7,3
49
2026 RP39
2026-Out-03
6,1 DL
6,1
21
2024 SH7
2026-Out-04
10,5 DL
10,8
12
2024 TD16
2026-Out-07
14,2 DL
11,8
17
2015 TS238
2026-Out-08
4,7 DL
15,8
30
2019 SD8
2026-Out-10
18,7 DL
9,5
12
2022 UP6
2026-Out-15
2,6 DL
9
8
2000 SZ162
2026-Out-16
19,9 DL
5,7
12
2020 FN3
2026-Out-20
12,4 DL
5,8
45
2017 UX7
2026-Out-22
17 DL
10,3
27
2018 GS1
2026-Out-28
11,1 DL
9,3
108
2022 UV21
2026-Out-29
14,8 DL
9,6
13
2025 UK9
2026-Out-31
0,8 DL
7,8
4
524522
2026-Nov-02
15,7 DL
8,7
277
2021 VC4
2026-Nov-03
6 DL
11,2
15
2017 WJ2
2026-Nov-05
15,6 DL
11,8
118
2016 VZ1
2026-Nov-05
20 DL
13,5
21
2001 KF54
2026-Nov-06
18,9 DL
16,4
391
2025 UF5
2026-Nov-09
18,9 DL
1,9
10
2015 VH65
2026-Nov-10
9,7 DL
8
10
2012 YD7
2026-Nov-10
18,6 DL
7,5
49
2023 VF3
2026-Nov-11
8,5 DL
8,8
19
2022 MP2
2026-Nov-13
19,8 DL
3,8
23
2025 VG5
2026-Nov-13
18,2 DL
4,9
16
2023 VE6
2026-Nov-17
18,4 DL
10,1
13
DL é a distância média da Lua (1 DL = 384.401 km). UT é a hora universal. Fonte: spaceweather.com.

Monitorando PHAs

Note que você também pode obter mais informações sobre um PHA em particular. Basta clicar sobre sua desgniação, na tabela acima. Isso vai lhe direcionar à página do JPL/NASA, contendo diversas informações – entre elas o diagrama orbital, com a possibilidade de simular sua trajetória futura.

Também disponibilizamos este diagrama que mostra o mapeamento dos impactos ocorridos na atmosfera (bólidos) entre 1994 e 2013. Para um registro ainda mais abrangente acesse este artigo.

Nenhum PHA conhecido está em curso de curso de colisão com o nosso planeta. Isso inclui os rumores de colisões de asteroides este ano ou nas próximas décadas. Por outro lado, estatisticamente não é tolice pensar que um impacto é pura questão de tempo.

Sempre perigosos

Vários impactos já aconteceram na história recente. O mais violento foi em 1908, na Sibéria (o evento Tunguska). Outro, também de grandes proporções, aconteceu sobre o Brasil em 1930. Mais recentemente, o asteroide 2008 TC3, de apenas 3m, tornou-se o primeiro a ser detectado antes de seu impacto, ocorrido em 7 de outubro de 2008 a cerca de 36 km acima do deserto da Núbia, entre o Egito e o Sudão. Foram encontrados cerca de 4 kg em meteoritos provenientes dele. Não houve vítimas.

Foto de Alex Alishevskikh.VISITANTE EXTRATERRESTRE Um objeto celeste caiu ao longo dos Urais na manhã de 15 de fevereiro de 2013. Ele explodiu na atmosfera, e mesmo assim causou danos em edifícios e ferimentos a centenas de pessoas. Clique na foto para ampliar.

O maior impacto recente aconteceu na manhã (3:20 UTC) de 15 de fevereiro de 2013, quando um asteroide penetrou em nossa atmosfera, desintegrando-se sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia (foto).

O evento foi fartamente documentado e diversos registros em vídeo indicaram uma trajetória de nordeste para sudoeste, com um ângulo raso de 20° sobre a horizontal. A velocidade de entrada foi estimada em cerca de 18 km/s (mais de 64 mil km/h).

Com base na análise das ondas sonoras de baixa frequência, detectadas por uma rede global, estimou-se que o objeto tinha um tamanho de 17 m e uma massa entre 7 e 10 toneladas quando atingiu a atmosfera. Ela explodiu a cerca de 15 ou 20 km acima do solo com uma energia equivalente a 500 quilotons de TNT (cerca de 30 vezes a energia liberada pela bomba atômica de Hiroshima).

Isso provocou um estrondo sônico que destruiu vidraças e telhados de várias edificações na cidade. Os estilhaços chegaram a ferir mais de mil pessoas e mais de 100 tiveram de ser hospitalizadas. Fragmentos do asteroide foram encontrados no lago Chebarkul e em vilarejos próximos. De acordo com a compreensão atual sobre PHAs, eventos assim são esperados uma vez a cada centena ou várias dezenas de anos.

Contudo, naquele mesmo dia, um PHA de 50m de comprimento (denominado 2012 DA14) passou a distância de apenas 27.700 km da Terra, um dos rasantes mais próximos já registrados. Mesmo assim, sua trajetória exclui qualquer relação com o evento na Rússia (entenda porque).

Bom mesmo seria se tudo isso tivesse sido útil para convencer as autoridades mundiais de que a nossa vizinhança no espaço não é tão tranquila quanto gostaríamos que fosse. Talvez só uma tragédia convença. Artigo de Astronomia no Zênite

Enquanto Apófis não vem
O evento Tunguska
Coruça, um impacto sobre o Brasil
Pousando em um asteroide

• ESA. Russia asteroid impact: ESA update and assessment. Disponível em <http://www.esa.int/Our_Activities/Operations/Russia_asteroid_impact_ESA_update_and_assessment>. Acesso em 8 mar 2013.
• JPL/NASA. Target Earth. Disponível em <http://neo.jpl.nasa.gov/neo/target.html>. Acesso em 22 nov 2012.
Créditos: Costa, J.R.V. Asteroides perigosos. Astronomia no Zênite, out. 2006. Disponível em: <https://zenite.nu/asteroides-perigosos>. Acesso em: 19 set. 2026.