Novidades do Espaço ExteriorAntena
 Ano VI - Nº 277

Buracos negros, porém brilhantes
Marshall Space Flight Center - 21 de junho de 2006

Existe um paradoxo quando se fala em buracos negros. Se nem mesmo a luz pode escapar de um buraco negro, como eles podem ser responsáveis por um dos fenômenos mais luminosos do Universo?

Novos dados obtidos pelo Telescópio Espacial Chandra, de raios-X, mostram pela primeira vez que campos magnéticos são a chave desse espetáculo luminoso. Estima-se que até um quarto da radiação emitida no Universo desde o Big Bang vem de material que cai no interior de buracos negros super maciços.

Isso inclui a energia dos quasares, que são núcleos de galáxias ativos e os objetos mais brilhantes conhecidos. Por isso, durante décadas, os pesquisadores vêm tentando compreender como os buracos negros podem ser responsáveis por tamanha quantidade de radiação.

O Chandra acompanhou o buraco negro conhecido como GRO J1655-40, em nossa própria galáxia, que está extraindo material de uma estrela próxima. A gravidade não é forte o bastante para fazer com que o gás arrancado da estrela (que forma um disco ao redor do buraco negro), seja sugado na taxa observada.

Antes disso, o gás precisa perder momento angular – uma quantidade relacionada à energia cinética e à velocidade de rotação. Sem essa dissipação, o gás poderia permanecer em órbita do buraco negro por um longo tempo. Há evidências do papel das forças magnéticas no processo de absorção do gás, chamado acresção.

O espectro de raios-X gerado na acresção mostra que a velocidade e a densidade do vento estelar no disco de J1655 combinam com previsões de ventos impulsionados por magnetismo.

Além atuar nos discos de acresção ao redor de buracos negros, campos magnéticos poderão se mostrar importantes nos discos detectados ao redor de estrelas de nêutrons e também das estrelas jovens, onde os planetas se formam.

Terra quente
Science@Nasa - 24 de junho de 2006

Pelo menos nos últimos quatrocentos anos – com certeza – a temperatura média da Terra nunca esteve tão alta. A conclusão é da Academia de Ciências dos Estados Unidos, após uma ampla revisão de trabalhos científicos sobre o tema, requisitada pelo Congresso norte-americano.

O relatório afirma que “o calor recente não tem precedentes, pelo menos nos últimos 400 anos, e potencialmente por vários milênios” e também que “as atividades humanas são responsáveis por muito desse aquecimento”.

Assim mesmo o presidente George W. Bush insiste que o aquecimento global não é grave o bastante para exigir a implementação de novas medidas de controle da poluição; medidas estas que, segundo ele, custariam milhões de empregos dos americanos.

Ainda, segundo o relatório, o aquecimento das últimas décadas do século passado provavelmente não teve precedentes nos mil anos anteriores, embora condições de temperatura relativamente elevada tenham existido por volta do ano 1000, seguidas pela “Pequena Era Glacial” ocorrida entre os anos de 1500 e 1850.

Os cientistas concordam com a existência de uma elevação abrupta das concentrações de gás carbônico e metano, gases causadores do efeito estufa, a partir do início do século XX. Essa concentração aparentemente se manteve estável durante doze mil anos.