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| Ano VI - Nº 269 |
| Espetáculo celeste em pedaços |
| Universe Today - 25 de abril de 2006 |
| Cometas são astros frágeis. Após sucessivas passagens, acabam perdendo seu fulgor, caindo no Sol ou se partindo em pedaços, que continuam em órbita solar até se perderem de vez. Foi assim em 1992, quando o Shoemaker-Levy 9, fragmentado, colidiu com Júpiter, que o engoliu sem cerimônias. Se qualquer pedaço desse cometa colidisse com a Terra seria um desastre. Mas, sorte nossa, Júpiter fica muito longe daqui. Outro que vem se quebrando aos poucos, desde 1995, é o cometa 73P/Schwassmann-Wachmann 3 (S-W 3). Só que em maio (entre os dias 12 e 14) ele passará mais perto da Terra que qualquer outro cometa desde 1983. Sem riscos: a distância mais próxima de seus fragmentos ainda será vinte vezes mais longe que a Lua. Mesmo assim a passagem do S-W 3 será um espetáculo quando visto pelos telescópios espaciais mais poderosos (como Hubble e Spitzer), e mais dezenas de observatórios terrestres numa campanha inédita no histórico de cometas próximos da Terra. Com um pouco de sorte os amadores também se beneficiarão, se alguns dos fragmentos cometários mais brilhantes forem visíveis com um binóculo e até a olho nu, ainda que tênuamente. Ao estudar as entranhas expostas do cometa os cientistas esperam aprender um pouco mais sobre estes astros, que carregam os ingredientes originais da construção do Sistema Solar. Por isso, com muito bom humor, alguns astrônomos vêem o evento como uma versão grátis da missão Deep Impact, da NASA, que enviou uma nave para as vizinhanças do cometa Tempel 1 em julho do ano passado, e de lá arremessou uma sonda perfuratriz que ao chocar-se com a superfície produziu uma nuvem de material do interior do astro. O que fez com que o S-W 3 se partisse ainda é um mistério. No caso do Shoemaker-Levy 9 foram as forças de maré, fruto de passagens próximas a Júpiter. Mas o S-W 3 segue uma órbita de 5,4 anos que não o leva perto o bastante de Júpiter ou do Sol para seus puxões gravitacionais levem a culpa. De qualquer modo, ele ainda continua a se fragmentar e seus detritos podem sim atingir a Terra no futuro (talvez daqui a 10 ou 15 anos) – mas não para causar destruição. Assim como o cometa Biela, no século XIX, o S-W 3 poderá produzir uma grande nuvem de partículas que, uma bela noite, ao envolver a Terra, produzirá uma inesquecível chuva de meteoros. |
| A infância molhada de Marte |
| Space.com - 23 de abril de 2006 |
| No estudo mais completo feito até hoje sobre a mineralogia de Marte, três períodos geológicos distintos ficaram evidentes. Neles, a água vai desempenhando um papel cada vez menor. Se a vida já existiu no Planeta Vermelho, foi apenas na infância desse mundo, quando o clima foi relativamente ameno e úmido. Porém, há cerca de 3,5 bilhões de anos, alguma coisa drástica aconteceu em Marte, transformando o planeta num lugar árido e ácido, onde as condições de vida não são favoráveis nem mesmo para micróbios. As hipotéticas formas de vida marciana tiveram, portanto, pouco tempo para evoluir. A conclusão é de um estudo liderado por pesquisadores do Instituto de Astrofísica Espacial de Paris, obtido com base em dados da sonda européia Mars Express. A era úmida de Marte teria se estendido do nascimento do planeta, há 4,6 bilhões de anos, até por volta de 4 bilhões de anos atrás. As rochas mais antigas de Marte mostraram minerais de argila, um indicativo de condições amenas pois, para se formar, a argila precisa de muita água e baixa acidez. Depois, na segunda era de Marte, os minerais formados (como gipsita e hematita) assinalam uma transição para um clima seco que, segundo os pesquisadores, poderia ter sido disparado por grandes erupções vulcânicas. Por fim, a terceira era, que dura até hoje, é a dos minerais ricos em ferro, em rochas que não foram alteradas por água líquida. O desafio agora é encontrar indícios de formas primitivas de vida que poderiam ter começado a evoluir na primeira era. Se existirem, seus rastos provavelmente estarão nas regiões de rochas mais antigas e ricas em argila, como o platô vulcânico Syrtis Major – alvos potenciais para futuras missões, e que já estão sendo mapeados pela sonda Mars Reconaissance Orbiter. |
| Xena é pouco maior que Plutão |
| Space.com - 23 de abril de 2006 |
| Pela primeira vez o Telescópio Espacial Hubble observou 2003 UB313, objeto do Cinturão de Kuiper descoberto por Michael Brown, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, e que ficou famoso por ser aclamado como o décimo planeta do Sistema Solar, apelidado de Xena pela equipe de Brown. Estudos anteriores já haviam sugerido que Xena era cerca de 30% maior que Plutão. Mas uma olhada pelas lentes do Hubble entre 9 e 10 de dezembro de 2005 mostraram que seu diâmetro é de aproximadamente 2.400 km (com incerteza de 100 km). O diâmetro de Plutão, medido pelo Hubble, é de 2.288 km. O Hubble é o único telescópio capaz de obter uma clara medida na luz visível do diâmetro de Xena disse Brown. Portanto, Xena é menor que o previsto anteriormente (ainda assim maior que Plutão) e comparativamente mais brilhante. Na verdade o astro deve ser um dos mais brilhantes de todo o Sistema Solar. E tamanha refletividade talvez se deva a metano congelado sobre sua superfície, ou que gás metano espirre continuamente de seu interior quente, como gêiseres. Ser brilhante ajuda: vê-lo no céu é o mesmo que divisar um objeto com cerca da metade do tamanho do Brasil a 16 bilhões de quilômetros. Um ano em Xena demora 560 anos terrestres e ele agora está próximo do afélio (ponto de sua órbita mais longe do Sol). Ainda é aguardada uma decisão da União Astronômica Internacional sobre se o objeto deve ou não ser considerado um planeta, e também um nome oficial para o astro. |