Novidades do Espaço Exterior – Ano IV – Nº 159
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| Ano IV – Nº 159 |
A química de Marte
Os dados até agora recolhidos pelos robôs da missão Mars Exploration Rover confirmam a velha hipótese de que certas áreas da superfície de Marte já foram cobertas por água e tiveram ambiente propício à existência de vida.
Um dos grandes fundamentos dessa idéia provem da análise das rochas, que identificou a presença de sulfatos (sais), confirmando ainda marcas típicas de erosão e formação de nichos de cristais.
“Com tamanha quantidade de sulfatos, devemos ter muita água envolvida”, explicou Steven Squyres, principal investigador do grupo do robô Opportunity e professor na Universidade de Cornell.
Esta semana astrônomos do Instituto de Ciência Espacial, no Colorado, Estados Unidos, divulgaram estudos realizados durante a última oposição de Marte, em 2003, através do telescópio James Clerk Maxwell, no Havaí.
Eles concluíram que existe peróxido de hidrogênio (H2O2) na atmosfera marciana. Essa descoberta tem impacto sobre a busca de vida no Planeta Vermelho.
Apesar de estar presente em pequenas quantidades, o peróxido de hidrogênio age em Marte como na Terra, ou seja, um anti-séptico natural. Assim tenderia a retardar a atividade biológica.
Some-se a isto a intensa radiação ultravioleta e a atual falta d’água em Marte, e nenhum organismo microscópico estaria vivo hoje na superfície. Abaixo dela, porém, a vida ainda pode estar latente.
Rosetta começa sua longa jornada
Após dois cancelamentos, nos dias 26 e 27 de fevereiro, a sonda Rosetta finalmente partiu na madrugada desta terça-feira rumo ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
O foguete Ariane-5G+ colocou a Rosetta em uma órbita solar, que trará a sonda de volta a Terra em março de 2005 para executar uma manobra de alteração de trajetória e aceleração em direção ao cometa, passando por Marte em 2007 e por mais dois encontros com a Terra (em novembro de 2007 e em novembro de 2009).
Em seguida a Rosetta irá se afastar do Sol e passar pelo Cinturão de Asteróides, entrando num período de hibernação que durará de 2011 a 2014. Apenas em meados de 2014 a sonda deverá estar em órbita do seu alvo. Um dos objetivos da missão é o pouso na superfície do cometa, em novembro de 2014.
A sonda já deveria estar a caminho desde o ano passado, mas o foguete Ariane-5G estava sob investigação após a explosão de um modelo de testes após a decolagem. O cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko possuí 4km de diâmetro e um período orbital de 6,6 anos.
Atualmente ele está a 170 milhões de quilômetros do Sol, ou cerca de 4,5 vezes a distância da Terra ao astro-rei. Os cometas são como fósseis do Sistema Solar, remontando uma época ancestral em que os planetas se formaram, há 4,6 bilhões de anos. O nome da missão faz referência às tábuas de pedra egípcias chamadas Rosetta que ajudaram os historiadores a decifrar os hieróglifos.


